Criador e Criatura se fundem e se confundem

Um Cappuccino Vermelho - Joel G. Gomes

Um Cappuccino Vermelho é um livro intrigante. Inicia sua narrativa com Ricardo Neves, assassino profissional e escritor em ascensão. Em principio o ofício de matador fica em segundo plano, e o autor destrincha lentamente o gosto de Ricardo pelo café, e todo seu conhecimento sobre a bebida. Apesar poder parecer cansativo, essa parte do livro revela muito sobre o personagem, e lentamente vamos nos aproximando dele e entendendo suas motivações para matar pessoas.

 

Ricardo recebe uma nova missão, então acompanhamos seu modus operandi na execução de um assassinato. A mente do protagonista é cheia de nuances e, ao mesmo tempo que é convicto de suas escolhas, tem uma tremenda dificuldade de tomar decisões.

 

À medida que a historia avança, conhecemos mais sobre o assassino/escritor, acompanhando sua rotina em cada detalhe. Joel tem uma escrita que preza pelo detalhismo, com longas descrições de acontecimentos pequenos. No entanto, o livro não é cansativo, pois cada detalhe tem sua importância, e ajuda na imersão do leitor na história.

Quando duas de suas futuras vítimas desaparecem, Ricardo ficar perdido, e decide passar para o próximo da lista. Aí surge uma femme fatale que pode mudar o modo de Ricardo de encarar a vida.

 

Narrado em 3ª pessoa e escrito em português de Portugal, Um Cappuccino Vermelho traz uma trama de suspense muito bem elaborada e instigante. A escrita é clara e marcante, e Joel executa muito bem o ofício de incitar a curiosidade do Leitor.

 

Em certo ponto da história, outro personagem é inserido, com uma jornada independente, a principio, que nada se relaciona com a de Ricardo, exceto pelo fato de ser escritor. Mas as histórias se misturam, e segue até o desfecho do livro com uma dúvida entre o que é realidade e o que é fantasia.

 

Pontos importantes são repassados quando necessário, e a tensão aumenta juntamente com o clima de suspense. O caminho para o fim é bem conduzido e o final é muito bom, fazendo o leitor fechar o livro e ficar se perguntando um sem-número de coisas, pois as últimas páginas deixam mais perguntas que respostas.